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sábado, 3 de abril de 2010
quarta-feira, 24 de março de 2010
O que não se deve perder!
É destas coisas que são feitas as histórias de todas as famílias: histórias, memórias e recordações!
História das histórias
Há uns anos atrás, um dos meus chefes dizia -me: - "Escreve! Escreve essas histórias todas! Não deixes que elas se percam com o passar dos anos! Olha, não sejas preguiçosa, escreve!" Um homem extraordinário, esse meu Chefe. Ainda hoje tenho por ele um carinho e uma admiração enormes. Um homem único. Tenho saudades desses momentos de "partilha" que nós os dois tínhamos! Passei momentos extraordinários com ele. Ensinou-me muita coisa...
Ficávamos horas a conversar os dois, depois das reuniões. Eu, que adoro uma boa conversa, ele que adora histórias! Desde o meu bisavô maçónico, às historias de como o meu pai conquistou a minha mãe, passando pelos "desastres" das jóias da minha avó, o naufrágio dos lugres, acho que lhas contei todas. E ele insistia, no fim de cada "ronda": - Escreve! Senta-te ao computador e escreve! Ou faz como antigamente, pega em papel e caneta! Mas escreve! Não deixes que essas histórias se percam..."
Sempre lhe disse que ia pensar nisso, mas escrever para quê? Para ficar armazenado no disco duro? Para imprimir e deixar as folhas amarelecer com o tempo? Não fazia sentido...
Quando criei este blogue, não me passou sequer pela cabeça contar estas histórias. No fundo são minhas e não são minhas. São património da minha família, são a história da minha família. Só fiz parte de algumas (poucas) e nem sequer são as que têm mais piada. Não me sentia no direito de as contar, de as escrever. Até porque, de algumas só sei pedaços e já não tenho a quem recorrer para preencher as lacunas. Mas, aos poucos elas (as histórias!) foram saindo do armário, devagar, devagarinho, foram espreitando... e acabaram por sair cá para fora!
Começou pela minha Avó emprestada (e muito bem, porque se estou aqui também lho devo a ela e ao carinho com que me ajudou a crescer), passando pelo meu pai (o meu ídolo!), pelo meu bisavô revolucionário... enfim, estou a fazer o que o meu Chefe queria: a escreve-las! De uma forma aleatória, anárquica, desordenada, misturadas com as minhas neuras, com os meus "recados", com os meus desabafos, com as crises de mau feitio; enfiadas entre postes de frustração, de raiva, de carinho, de amor, de nervos, de ansiedade, de abandono; encravadas entre os meus dias de "normalidade" (será que isso existe?) e os meus dias de "bipolaridade" (quem não os têm, que atire a primeira pedra!), elas vão passando para aqui, quase com vontade própria. Nunca sei quando me saltam da ponta dos dedos! Pode ser por causa de uma data, de uma foto, de um nome, de uma brutal neura, ou muito simplesmente por que me apeteceu!
E sabem que mais? Tem sido muito bom escreve-las! O meu Chefe tinha razão!
Ficávamos horas a conversar os dois, depois das reuniões. Eu, que adoro uma boa conversa, ele que adora histórias! Desde o meu bisavô maçónico, às historias de como o meu pai conquistou a minha mãe, passando pelos "desastres" das jóias da minha avó, o naufrágio dos lugres, acho que lhas contei todas. E ele insistia, no fim de cada "ronda": - Escreve! Senta-te ao computador e escreve! Ou faz como antigamente, pega em papel e caneta! Mas escreve! Não deixes que essas histórias se percam..."
Sempre lhe disse que ia pensar nisso, mas escrever para quê? Para ficar armazenado no disco duro? Para imprimir e deixar as folhas amarelecer com o tempo? Não fazia sentido...
Quando criei este blogue, não me passou sequer pela cabeça contar estas histórias. No fundo são minhas e não são minhas. São património da minha família, são a história da minha família. Só fiz parte de algumas (poucas) e nem sequer são as que têm mais piada. Não me sentia no direito de as contar, de as escrever. Até porque, de algumas só sei pedaços e já não tenho a quem recorrer para preencher as lacunas. Mas, aos poucos elas (as histórias!) foram saindo do armário, devagar, devagarinho, foram espreitando... e acabaram por sair cá para fora!
Começou pela minha Avó emprestada (e muito bem, porque se estou aqui também lho devo a ela e ao carinho com que me ajudou a crescer), passando pelo meu pai (o meu ídolo!), pelo meu bisavô revolucionário... enfim, estou a fazer o que o meu Chefe queria: a escreve-las! De uma forma aleatória, anárquica, desordenada, misturadas com as minhas neuras, com os meus "recados", com os meus desabafos, com as crises de mau feitio; enfiadas entre postes de frustração, de raiva, de carinho, de amor, de nervos, de ansiedade, de abandono; encravadas entre os meus dias de "normalidade" (será que isso existe?) e os meus dias de "bipolaridade" (quem não os têm, que atire a primeira pedra!), elas vão passando para aqui, quase com vontade própria. Nunca sei quando me saltam da ponta dos dedos! Pode ser por causa de uma data, de uma foto, de um nome, de uma brutal neura, ou muito simplesmente por que me apeteceu!
E sabem que mais? Tem sido muito bom escreve-las! O meu Chefe tinha razão!
segunda-feira, 22 de março de 2010
Mulheres!
Depois do post de ontem, sobre o "outro homem da minha vida" e a poetisa Florbela Espanca, lembrei-me que nunca tinha escrito sobre a paixão do meu pai pelas mulheres. Não sendo um homem particularmente bonito era, sem dúvida, um homem muito interessante (tinha uns olhos lindos: castanhos escuros, grandes, "pestanudos" e tão expressivos! E tinha as orelhas mais lindas do mundo inteiro!!!). Digo que não era particularmente bonito, pelas fotografias da época, mas esta é uma avaliação pessoal. Tinha uma presença forte, fortíssima, jamais passando despercebido fosse onde fosse. Educado numa época onde a educação marcava a diferença de classes, o meu pai parecia um "Lord" quando estava para aí virado! Tinha uma inteligência bem acima da média e uma sede de aprender imensa. Aprender sobre tudo, desde o cultivo da batata, à criação de enguias, como fazer pão, arranjar lampreias, passando pelos estudos sobre o Copérnico e o Galileu, o curso de medicina e o de arquitectura...
Filho de uma família da burguesia industrial do início do Séc. XX, teve a melhor das educações: tanto em casa como nos colégios que frequentou. Os meus avós não pouparam na educação do filho. Tanto mais que, quando perceberam que o indicado para ele era a educação dos Jesuítas, mandaram-no para Espanha, para La Guardia, onde frequentou o Colégio*, até "fugir" para a Bélgica!
Voltando à sua paixão pelas mulheres, o meu pai era, à época, considerado um D. Juan! Muito embora eu já o tenha conhecido com bastante idade, consigo identificá-lo perfeitamente com a personagem... o meu pai tinha alma de conquistador. O meu pai era um conquistador! Mesmo com muita idade, manteve algumas das características de um bom conquistador (mais uma vez, é uma avaliação puramente pessoal!): um sorriso lindo, um ar de "sacana" fabuloso, uma conversa onde o mel escorria, uma educação primorosa e uns "olhares" que, se conquistavam a filha, imagino as mulheres!!! E, se a educação e a conversa se podem aprender, o sorriso lindo, o ar de "sacana" e a forma de olhar, nascem com as pessoas, jamais se aprendem. Aprende-se, quando muito, a fazer uso deles. E isso, o meu pai aprendeu muito bem! Se estas palavras estão carregadas de orgulho? Sim, estão! Muito embora eu não concorde com a ideia de um homem ter várias amantes, era comum, na época. Aliás, atrevo-me a dizer que era quase um sinal de classe, de estatuto social elevado, pois só quem tinha dinheiro podia manter outras mulheres! São muitas as histórias do meu pai com as mulheres, eu apenas sei algumas contadas por ele e, outras sussurradas por amigos dele... Não viveu o suficiente para a filha o questionar sobre "assuntos do coração"!
É celebre a história da Mimosa e do seu bandolim, a história da filha da "Bruxa" da Adémia, a história da "prima" Amália (sim, essa, a Rodrigues!) e, claro, a da Florbela Espanca (até certa altura, parece-me que o meu pai só escolhia mulheres mais velhas!). Existem, com certeza, mais, mas estas são as que ele confirmou, quer porque as contou à minha frente, quer pelo seu olhar sonhador, embevecido e saudoso que fez, quando as contaram ao pé dele...e que eu pude apreciar!
Algumas destas histórias coincidem com o primeiro casamento do meu pai, outras são da sua juventude e existem, com certeza, histórias da época da sua viuvez. Também existe uma história da época do casamento dos meus pais... pois!!! Mas aí, a minha mãe, que é a pessoa mais ciumenta que eu conheço à face da terra, contando com a minha madrinha como aliada, meteu-se num comboio, e apareceu ao meu pai na Pastelaria Suissa, quando ele tomava chá com a "dita"!!! Rezam as "crónicas familiares" que foi a última vez! A minha mãe, como boa ciumenta, não deve ter deixado o "crédito em mãos alheias"!
Esta faceta de D. Juan do meu pai sempre me divertiu, e não consigo vê-la como um facto negativo. Encaixa tão bem na sua personalidade que seria um "crime" não a exaltar, não a contar, não gostar dela ou, até escondê-la.
Enquanto estive a escrever este post, o meu pai "passeou-se" à minha frente, com o seu ar de "sacana", os seus olhares provocadores e as suas "falas" doces, de braço dado com algumas das suas "mulheres"... e ele tinha um ar tão feliz, mas tão feliz, que até eu fico de lágrima ao canto do olho, perante este testemunho de "amor" pelas mulheres!
*Nota histórica: Em Outubro de 1910, a Companhia de Jesus foi, pela terceira vez, expulsa e espoliada dos seus bens, em Portugal. O governo provisório da República restaurou a Lei pombalina de 1759. Após terem abrigo temporário na Holanda e na Bélgica, estabeleceram-se na vizinha Espanha, onde abriram, entre outros, o Colégio para alunos portugueses em La Guardia, no lado espanhol da foz do Rio Minho. Foi este, o "herdeiro" do famoso Colégio de Campolide, sendo em 1932 transferido para as Caldas da Saúde, Sto Tirso.)
Filho de uma família da burguesia industrial do início do Séc. XX, teve a melhor das educações: tanto em casa como nos colégios que frequentou. Os meus avós não pouparam na educação do filho. Tanto mais que, quando perceberam que o indicado para ele era a educação dos Jesuítas, mandaram-no para Espanha, para La Guardia, onde frequentou o Colégio*, até "fugir" para a Bélgica!
Voltando à sua paixão pelas mulheres, o meu pai era, à época, considerado um D. Juan! Muito embora eu já o tenha conhecido com bastante idade, consigo identificá-lo perfeitamente com a personagem... o meu pai tinha alma de conquistador. O meu pai era um conquistador! Mesmo com muita idade, manteve algumas das características de um bom conquistador (mais uma vez, é uma avaliação puramente pessoal!): um sorriso lindo, um ar de "sacana" fabuloso, uma conversa onde o mel escorria, uma educação primorosa e uns "olhares" que, se conquistavam a filha, imagino as mulheres!!! E, se a educação e a conversa se podem aprender, o sorriso lindo, o ar de "sacana" e a forma de olhar, nascem com as pessoas, jamais se aprendem. Aprende-se, quando muito, a fazer uso deles. E isso, o meu pai aprendeu muito bem! Se estas palavras estão carregadas de orgulho? Sim, estão! Muito embora eu não concorde com a ideia de um homem ter várias amantes, era comum, na época. Aliás, atrevo-me a dizer que era quase um sinal de classe, de estatuto social elevado, pois só quem tinha dinheiro podia manter outras mulheres! São muitas as histórias do meu pai com as mulheres, eu apenas sei algumas contadas por ele e, outras sussurradas por amigos dele... Não viveu o suficiente para a filha o questionar sobre "assuntos do coração"!
É celebre a história da Mimosa e do seu bandolim, a história da filha da "Bruxa" da Adémia, a história da "prima" Amália (sim, essa, a Rodrigues!) e, claro, a da Florbela Espanca (até certa altura, parece-me que o meu pai só escolhia mulheres mais velhas!). Existem, com certeza, mais, mas estas são as que ele confirmou, quer porque as contou à minha frente, quer pelo seu olhar sonhador, embevecido e saudoso que fez, quando as contaram ao pé dele...e que eu pude apreciar!
Algumas destas histórias coincidem com o primeiro casamento do meu pai, outras são da sua juventude e existem, com certeza, histórias da época da sua viuvez. Também existe uma história da época do casamento dos meus pais... pois!!! Mas aí, a minha mãe, que é a pessoa mais ciumenta que eu conheço à face da terra, contando com a minha madrinha como aliada, meteu-se num comboio, e apareceu ao meu pai na Pastelaria Suissa, quando ele tomava chá com a "dita"!!! Rezam as "crónicas familiares" que foi a última vez! A minha mãe, como boa ciumenta, não deve ter deixado o "crédito em mãos alheias"!
Esta faceta de D. Juan do meu pai sempre me divertiu, e não consigo vê-la como um facto negativo. Encaixa tão bem na sua personalidade que seria um "crime" não a exaltar, não a contar, não gostar dela ou, até escondê-la.
Enquanto estive a escrever este post, o meu pai "passeou-se" à minha frente, com o seu ar de "sacana", os seus olhares provocadores e as suas "falas" doces, de braço dado com algumas das suas "mulheres"... e ele tinha um ar tão feliz, mas tão feliz, que até eu fico de lágrima ao canto do olho, perante este testemunho de "amor" pelas mulheres!
*Nota histórica: Em Outubro de 1910, a Companhia de Jesus foi, pela terceira vez, expulsa e espoliada dos seus bens, em Portugal. O governo provisório da República restaurou a Lei pombalina de 1759. Após terem abrigo temporário na Holanda e na Bélgica, estabeleceram-se na vizinha Espanha, onde abriram, entre outros, o Colégio para alunos portugueses em La Guardia, no lado espanhol da foz do Rio Minho. Foi este, o "herdeiro" do famoso Colégio de Campolide, sendo em 1932 transferido para as Caldas da Saúde, Sto Tirso.)
domingo, 31 de janeiro de 2010
A revolta e os genes
Comemora-se hoje a Revolta de 31 de Janeiro de 1891.
Na minha família, os genes revolucionários revelaram-se com o meu bisavô e com a sua participação nesta revolta. O meu bisavô, oriundo de Aveiro, maçónico convicto, era ourives na Cidade do Porto. A forma como foi parar ao Porto dá direito a outro post. O que importa hoje, é que ele foi um dos civis revoltosos. Este foi o culminar da sua "revolta", pois já tinha tirado do seu nome um dos apelidos, após se ter zangado com a família, por esta apoiar a monarquia. A sua marca de ourives só ostentava o E.
Após o fracasso da Revolta, e para evitar ser julgado, fugiu. Andou meses a monte, e a minha bisavó soube através dos canais clandestinos, do falecimento do marido. A minha avó teria pouco mais de 11 anos. A minha bisavó vendeu a oficina de ourives do marido, pegou na filha e regressou à Gândara dos Olivais. Nunca perdeu a ligação a Aveiro nem à família do marido. Tanto mais, que o meu bisavô tinha conseguido, com a sua profissão, adquirir muitos dos terrenos onde hoje está a Avenida principal da Cidade. Anos mais tarde, a minha avó iria para Aveiro e construiria aí a sua casa.
Esta história foi-me contada pelo meu pai, sempre com um orgulho imenso. Contava esta história com as lágrimas nos olhos, com desgosto por não ter conhecido esse seu avô revolucionário, que tanto lhe teria agradado! E é com o mesmo orgulho que eu a quero passar ao meu filho, assim que ele tiver idade para entender!
Ficou-nos a todos um certo "gene" revolucionário, inconformista, que nos mete em sarilhos muitas vezes! Esse "gene" passou para o meu filho, tenho a certeza!
Na minha família, os genes revolucionários revelaram-se com o meu bisavô e com a sua participação nesta revolta. O meu bisavô, oriundo de Aveiro, maçónico convicto, era ourives na Cidade do Porto. A forma como foi parar ao Porto dá direito a outro post. O que importa hoje, é que ele foi um dos civis revoltosos. Este foi o culminar da sua "revolta", pois já tinha tirado do seu nome um dos apelidos, após se ter zangado com a família, por esta apoiar a monarquia. A sua marca de ourives só ostentava o E.
Após o fracasso da Revolta, e para evitar ser julgado, fugiu. Andou meses a monte, e a minha bisavó soube através dos canais clandestinos, do falecimento do marido. A minha avó teria pouco mais de 11 anos. A minha bisavó vendeu a oficina de ourives do marido, pegou na filha e regressou à Gândara dos Olivais. Nunca perdeu a ligação a Aveiro nem à família do marido. Tanto mais, que o meu bisavô tinha conseguido, com a sua profissão, adquirir muitos dos terrenos onde hoje está a Avenida principal da Cidade. Anos mais tarde, a minha avó iria para Aveiro e construiria aí a sua casa.
Esta história foi-me contada pelo meu pai, sempre com um orgulho imenso. Contava esta história com as lágrimas nos olhos, com desgosto por não ter conhecido esse seu avô revolucionário, que tanto lhe teria agradado! E é com o mesmo orgulho que eu a quero passar ao meu filho, assim que ele tiver idade para entender!
Ficou-nos a todos um certo "gene" revolucionário, inconformista, que nos mete em sarilhos muitas vezes! Esse "gene" passou para o meu filho, tenho a certeza!
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
Dinner with Kamasutra
Num destes jantares, quando já estava tudo contagiado pelo riso, alguém pergunta: - Olha, onde está o dvd do "Jardim dos Amigos"? E alguém responde, a rir e com ar de troça: - Está aí, na sala, ao lado do Kamasutra!!! Um terceiro elemento, sentado à mesa da cozinha, diz o seguinte: - Eu tenho uma edição, não tenho é homem! Para além das consequentes gargalhadas, o elemento sentado à mesa da cozinha, foi "brindado" com este comentário, vindo da sala: - Qual livro, eu tenho melhor: descarreguei um documentário da net!
Há muitos, muitos anos atrás, quando eu era uma "miúda espevitada", adquiri a "meias" uma edição do Kamasutra. Corria o ano de 89, eu estudava no Porto e vivia num apartamento com mais 7 mulheres. Todas da mesma idade, a estudar no mesmo sítio, sendo que com uma delas eu tinha uma forte relação de amizade, desde que éramos miúdas.
Então, numa tarde de outono em que chovia a potes, numa daquelas tardes escuras, típicas do Porto com chuva, e estando nós a conversar sobre homens, sexo, homens, sexo e mais sexo, alguém se lembra do Kamasutra! Ora, nós nunca tínhamos visto o livro, só ouvido falar. A conversa desviou-se para a importância do dito livro. Já se tinha ouvido falar tanto sobre ele, que era uma obra de referência, ilustrada, supostamente um guia, um livro de ensinamentos. E nós andávamos a dar os "primeiros passos" em termos de sexo... queríamos saber tudo!
Sempre fiel à minha vontade de aprender e achando que os livros são os nossos melhores professores:
- Olha C. , veste-te, anda, são quase 6 da tarde, se nos despacharmos ainda apanhamos as livrarias abertas em S. Catarina...
- 'Tás maluca! Chove a potes! Tu és doida! Com que cara é que vamos pedir o livro?? Eu não tenho lata! O que é que vão pensar? Eu não peço nada! Tu és maluca! Deixa lá isso!
- Vá, anda, eu peço! Eu não tenho problemas! Ninguém me conhece! Mas despacha-te! Ainda temos muito que andar para lá chegar! Depois as livrarias fecham!
Lá arrastei a C. de casa, e fizemos o caminho desde a rua do Bonfim até S. Catarina a pé, debaixo de chuva. Chegámos à livraria (não sei qual, só me lembro que ficava numa esquina!) e, claro, lá tive eu que pedir o livro. Ok, eu sou espevitada, mas não tanto e disse ao empregado, em jeito de explicação, que era uma brincadeira para um amigo que fazia anos! Ele indicou-nos uma prateleira com várias edições. A C. com aquele ar atrapalhado, nem pegou nos livros! Corada, a olhar para todos os lados, não fosse aparecer alguém que nos conhecesse e nos visse com o Kamasutra nas mãos. Eu ainda hoje me lembro de uma das edições: "hard cover", vermelha, ilustrada, linda... e cara! Muito cara para duas bolsas de estudantes!
Pois é, tivémos que nos contentar com uma edição "Europa-América", paper back, com meia dúzia de ilustrações a preto e branco e comprada a "meias"!
Chegámos a casa, enfiámo-nos no quarto e lá começámos a leitura. Certo é que não jantámos, e acabámos de ler o livro às 3 da manhã! Lembro-me da C. ir soltando os seus risinhos nervosos, ao longo da leitura, feita em voz alta por mim! A C. dizia, anos mais tarde, que as ilustrações lhe tinham feito falta. Eu não concordo. Ainda bem que não tinha imagens, porque a ideia não é copiar as posições, mas sim como lá chegar obtendo o maior prazer possível! Digo eu, a "anos luz dos primeiros passos"! Retenho na memória um dos meus capítulos favoritos: a arte do mordisco! Vá-se lá saber porquê!
Há muitos, muitos anos atrás, quando eu era uma "miúda espevitada", adquiri a "meias" uma edição do Kamasutra. Corria o ano de 89, eu estudava no Porto e vivia num apartamento com mais 7 mulheres. Todas da mesma idade, a estudar no mesmo sítio, sendo que com uma delas eu tinha uma forte relação de amizade, desde que éramos miúdas.
Então, numa tarde de outono em que chovia a potes, numa daquelas tardes escuras, típicas do Porto com chuva, e estando nós a conversar sobre homens, sexo, homens, sexo e mais sexo, alguém se lembra do Kamasutra! Ora, nós nunca tínhamos visto o livro, só ouvido falar. A conversa desviou-se para a importância do dito livro. Já se tinha ouvido falar tanto sobre ele, que era uma obra de referência, ilustrada, supostamente um guia, um livro de ensinamentos. E nós andávamos a dar os "primeiros passos" em termos de sexo... queríamos saber tudo!
Sempre fiel à minha vontade de aprender e achando que os livros são os nossos melhores professores:
- Olha C. , veste-te, anda, são quase 6 da tarde, se nos despacharmos ainda apanhamos as livrarias abertas em S. Catarina...
- 'Tás maluca! Chove a potes! Tu és doida! Com que cara é que vamos pedir o livro?? Eu não tenho lata! O que é que vão pensar? Eu não peço nada! Tu és maluca! Deixa lá isso!
- Vá, anda, eu peço! Eu não tenho problemas! Ninguém me conhece! Mas despacha-te! Ainda temos muito que andar para lá chegar! Depois as livrarias fecham!
Lá arrastei a C. de casa, e fizemos o caminho desde a rua do Bonfim até S. Catarina a pé, debaixo de chuva. Chegámos à livraria (não sei qual, só me lembro que ficava numa esquina!) e, claro, lá tive eu que pedir o livro. Ok, eu sou espevitada, mas não tanto e disse ao empregado, em jeito de explicação, que era uma brincadeira para um amigo que fazia anos! Ele indicou-nos uma prateleira com várias edições. A C. com aquele ar atrapalhado, nem pegou nos livros! Corada, a olhar para todos os lados, não fosse aparecer alguém que nos conhecesse e nos visse com o Kamasutra nas mãos. Eu ainda hoje me lembro de uma das edições: "hard cover", vermelha, ilustrada, linda... e cara! Muito cara para duas bolsas de estudantes!
Pois é, tivémos que nos contentar com uma edição "Europa-América", paper back, com meia dúzia de ilustrações a preto e branco e comprada a "meias"!
Chegámos a casa, enfiámo-nos no quarto e lá começámos a leitura. Certo é que não jantámos, e acabámos de ler o livro às 3 da manhã! Lembro-me da C. ir soltando os seus risinhos nervosos, ao longo da leitura, feita em voz alta por mim! A C. dizia, anos mais tarde, que as ilustrações lhe tinham feito falta. Eu não concordo. Ainda bem que não tinha imagens, porque a ideia não é copiar as posições, mas sim como lá chegar obtendo o maior prazer possível! Digo eu, a "anos luz dos primeiros passos"! Retenho na memória um dos meus capítulos favoritos: a arte do mordisco! Vá-se lá saber porquê!
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
Le Petit Prince
Era (ainda é!) um dos meus livros favoritos. Deram-mo quando tinha 11 anos. Lembro-me de ter achado os desenhos muito giros. Li-o. Gostei. Na altura, não percebi totalmente a angústia da perda. Ainda não sabia muito bem o que isso envolvia.Acho que o li várias vezes, até que um dia o li, depois de uma perda... E aí o livro passou a ser outro e a história passou a ser outra. Porque eu já não era a mesma. Tinha, finalmente percebido as angústias de uma perda! Recordo-me de ter ficado com as lágrimas nos olhos, quando li a parte das estrelas. E nunca mais a li sem ficar assim. A passagem do "cativar" é das mais conhecidas. A das estrelas, nem por isso.
Se já o leram, voltem a lê-lo agora, já "crescidinhos" e digam lá que não é outra história!
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
Les etoiles
(...)"- As pessoas têm estrelas, que não são as mesmas para todas elas. Para uns, os que viajam, as estrelas são guias. Para outros não passam de pequenas luzes. Para outros, os sábios, são problemas. Para o meu homem de negócio, eram ouro. Todas essas estrelas, porém, permanecem caladas. Mas tu terás estrelas como ninguém tem...
- Que queres dizer com isso?
- Quando olhares para o céu de noite, porque habitarei numa delas, porque me rirei numa delas, será para ti como se todas as estrelas se rissem. Só tu terás estrelas que sabem rir!
E riu-se outra vez.
- E quando estiveres consolado (a gente consola-se sempre) ficarás contente por me ter conhecido. Serás sempre meu amigo. Terás vontade de rir comigo. E, às vezes, abrirás a janela, sem mais nem menos, por mero prazer... E os teus amigos hão-de ficar admirados de te ver rir e olhar para o céu. Tu então dir-lhes-ás: "As estrelas, as estrelas sempre me fizeram rir!" Julgarão que estás maluco. Ter-te-ei pregado uma boa partida...
E riu-se outra vez.
- Será como se te tivesse dado, em vez de estrelas, montes de pequenos guizos capazes de rir...
(...)
Agora já estou um pouco consolado. Isto é... não de todo. Mas sei muito bem que ele voltou para o seu planeta porque, ao romper do dia, não encontrei o corpo. Não era um corpo assim tão pesado... E, à noite, gosto de escutar as estrelas. É como se quinhentos quinhentos milhões de guizos..."
(...)
"Le petit prince" Antoine de Saint-Exupéry
terça-feira, 10 de novembro de 2009
Le Jardin de Roses
(...)
"Vós não sois nada parecidas com a minha rosa; ainda não sois nada, disse-lhes ele. Ninguém vos cativou, nem vós cativaste ninguém. Sois como era a minha raposa. Não passava de uma raposa igual a cem mil raposas. Mas fiz dela minha amiga e agora é única no mundo.
(...)
- Adeus, disse a raposa. Vou dizer-te o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos."
(...)
"Le petit prince" Antoine de Saint-Exupéry
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
Les amis
(...)
"-Não, disse o principezinho. Ando à procura de amigos. Que significa "cativar"?
-É uma coisa que toda a gente se esqueceu, disse a raposa. Significa "criar laços..."
- Criar laços?
- Isso mesmo, disse a raposa. Para mim, não passas, por enquanto, de um rapazinho em tudo igual a cem mil rapazinhos. E eu não preciso de ti. E tu não precisas de mim. Para ti, não passo de uma raposa igual a cem mil raposas. Mas, se me cativares, precisaremos um do outro. Serás para mim único no mundo. Serei única no mundo para ti...
- Começo a compreender, disse o principezinho. Existe uma flor... creio que ela me cativou.
- É possível, disse a raposa. Vê-se de tudo à superfície da Terra...
(...)
A raposa calou-se e olhou por muito tempo para o principezinho.
- Cativa-me, por favor, disse ela.
- Tenho muito gosto, respondeu o principezinho, mas falta-me tempo. Preciso de descobrir amigos e conhecer muitas coisas.
- Só se conhecem as coisas que se cativam, disse a raposa. Os homens já não têm tempo para tomar conhecimento de nada. Compram coisas feitas aos mercadores. Mas como não existem mercadores de amigos, os homens já não têm amigos. Se queres um amigo, cativa-me.
- Como é que hei-de fazer?, disse o principezinho.
- Tens que ter muita paciência, respondeu a raposa. Primeiro, sentas-te um pouco afastado de mim, assim, na relva. Eu olho para ti pelo rabinho do olho e tu não dizes nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas, de dia para dia, podes sentar-te cada vez mais perto..."
(...)
"Le petit prince" Antoine de Saint-Exupéry
"-Não, disse o principezinho. Ando à procura de amigos. Que significa "cativar"?
-É uma coisa que toda a gente se esqueceu, disse a raposa. Significa "criar laços..."
- Criar laços?
- Isso mesmo, disse a raposa. Para mim, não passas, por enquanto, de um rapazinho em tudo igual a cem mil rapazinhos. E eu não preciso de ti. E tu não precisas de mim. Para ti, não passo de uma raposa igual a cem mil raposas. Mas, se me cativares, precisaremos um do outro. Serás para mim único no mundo. Serei única no mundo para ti...
- Começo a compreender, disse o principezinho. Existe uma flor... creio que ela me cativou.
- É possível, disse a raposa. Vê-se de tudo à superfície da Terra...
(...)
A raposa calou-se e olhou por muito tempo para o principezinho.
- Cativa-me, por favor, disse ela.
- Tenho muito gosto, respondeu o principezinho, mas falta-me tempo. Preciso de descobrir amigos e conhecer muitas coisas.
- Só se conhecem as coisas que se cativam, disse a raposa. Os homens já não têm tempo para tomar conhecimento de nada. Compram coisas feitas aos mercadores. Mas como não existem mercadores de amigos, os homens já não têm amigos. Se queres um amigo, cativa-me.
- Como é que hei-de fazer?, disse o principezinho.
- Tens que ter muita paciência, respondeu a raposa. Primeiro, sentas-te um pouco afastado de mim, assim, na relva. Eu olho para ti pelo rabinho do olho e tu não dizes nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas, de dia para dia, podes sentar-te cada vez mais perto..."
(...)
"Le petit prince" Antoine de Saint-Exupéry
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