Há uns dias atrás, sem querer, acabei no campo. Sim, campo... árvores, terra, ar livre... Tinha planeada uma tarde com folhas de excel à frente e uma reunião. Reunião cancelada, restavam as folhas de excel. Uma fantástica tarde de sol, sem frio, após um belo "repasto" bem regado e ainda por cima sem ter que conduzir: ó que maravilha! Convite aceite! 'Bora lá! Excel adiado!
A meio da viagem, abre-se uma janela e entra no carro um cheiro delicioso de eucalipto, pinheiro, urze, giestas, folhas, ervas, terra... aquela mistura de cheiros impossível de descrever, mas que nos fica na memória e que nos traz memórias. Chegados ao destino, o cheiro mantém-se, entra nos pulmões, entranha-se nos poros...
Os cheiros, a vista, o sol, o calor que anuncia os dias de primavera, trazem-me à memória os tempos de miúda, passados nas quintas do meu pai. Os dias da matança do porco, os dias da vindima, da poda, os fins de tarde da ordenha... Na viagem de regresso e quando voltei às folhas de Excel, fartei-me de "viajar"!
Voltei à matança do porco, às conversas das caseiras que insistiam que o me fazia falta era comer o caldo de cozer as carnes e o sangue, que dava "sustança": "- Tão franzina esta menina! Precisa de a mandar para cá, Sr. Dr.! Este caldo e os ares, sai daqui outra, cheiinha, coradinha..." E eu comia o caldo de muito bom grado. Era bom!
De volta às tardes na Quinta da Forca, cá em baixo, na casa do forno, com a broa a acabar de sair, recheada com sardinha. O lanche melhorado dos trabalhadores, quando o meu pai lá ia! Ai, aquela broa: aquele pedaço debaixo da sardinha, quente, gorduroso, a desfazer-se na boca, ensopado com o sabor da sardinha... a broa de chouriço... até a broa simples, sem nada, digna da mesa de um rei! Muita broa quente comi eu: "- Deixe a menina comer, é o que ela precisa! Olhe, se não jantar, "quem não come por ter comido, não há mal de perigo"! Coma menina, faz-lhe bem, p'ra encher esses ossinhos..." Ah, e eu comia!
Aquela mistura de cheiros, a terra, fizeram-me regressar à ordenha, aos finais de tarde onde eu escapava aos olhos do meu pai, corria atrás do caseiro e ia beber o leite... não num copo, assim não tinha piada! O que eu gostava mesmo era de meter a cabeça debaixo da vaca, esperar que o caseiro apertasse as tetas da vaca e... directo para a minha boca! Sempre às escondidas do meu pai: (então da minha mãe nem se fala, tal era o pânico de eu levar um coice da vaca) "- Ai, Sr. Dr., a menina é só olhos e cabelo... deixe lá, "o que não mata engorda!" Pois é, não existe leite melhor!
É, tenho maus hábitos! Almoços do fim da vindima, com os leitões a saírem do forno, a cabidela feita a preceito, as mesas corridas com todos os trabalhadores... A cabidela! Ninguém a fazia tão bem como o Victor, o caseiro de S. Lourenço. Qual batata frita! Era mesmo com batata cozida e salada. E vinho claro, para os adultos. Eu ficava-me pelo mosto, ainda a ser pisado pelo pessoal: "- Dê um copo à menina, Sr. Dr.... olhe que é melhor que os xaropes da farmácia! Tão branquinha, coitadinha... isto é que lhe faz falta!" E o meu pai dava. Eu gostava e ele tinha orgulho de eu gostar.
Fica outro tanto por contar: a lama, a cara mascarrada de uvas, as mãos sujas de terra, o cabelo ainda mais espetado do pó das correrias, o barro colado na roupa e nos braços, as pernas cheia de nódoas negras, arranhões e esfoladelas (tenho orgulhosas cicatrizes das minhas brincadeiras), os sonos feito no banco ao lado da lareira, na Quinta do Ribeirinho, as fabulosas tartes de chila da D. Maria Teresa...
De nada serviram os cuidados e as comidas das caseiras. Nem o leite puro, nem o mosto... Continuei franzina, magrinha, só olhos e cabelo, branquinha, mas com um apetite que só visto! Sim, sou "menina da cidade" mas com um pézinho no campo e com muita pena pelo meu filho não crescer com tudo isto.
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quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
Considerações de Mãe ou Monólogo de Mãe
Ontem à noite, enquanto eu estava a temperar o entrecosto para o almoço de hoje:
"- És arisca! Sempre foste. Desde pequenina. Sempre foste arisca! Beijos e abraços que não queiras e lá ficas tu como uma enguia...foges! És arisca, tens a quem sair: saís à tua Avó... pareces "enxertada em corno de cabra"! Olha, a mim não sais! Nunca pedias "colo" ou "mimo"... bem, à tua avó pedias! E ao teu pai... e não era bem "mimo": vinhas, chegavas ao pé dele, subias para as costas da cadeira, trincavas-lhe as orelhas e dizias: - Anda, pai, vamos jogar ao sério?! E ficavam os dois, horas, a olhar nos olhos um do outro a ver quem se ria primeiro... Pois, com o teu pai tu entendias-te! Mas nunca pedias "colo"... dizias-lhe: - Posso sentar-me na tua perna, pai? E o teu pai dizia-te: - Vá, na perna "boa"... e tu sentavas-te, encostavas-te a ele, ele punha o braço à volta da tua cintura e ficavam os dois calados... Quando cresceste e não podias sentar-te na perna dele, sentavas-te aos pés dele, no chão, encostavas-te às pernas dele, ele passava-te a mão pela cabeça e ficavam os dois na sala, mudos... Nunca vos vou entender...pois, porque vocês andavam sempre à guerra.... eram iguais!
Mas tu és muito arisca, sempre foste muito arisca... e o teu filho é como tu!"
E eu fiquei à espera de ouvir: - E ainda por cima, pões muita cebola na caldeirada! :-D
"- És arisca! Sempre foste. Desde pequenina. Sempre foste arisca! Beijos e abraços que não queiras e lá ficas tu como uma enguia...foges! És arisca, tens a quem sair: saís à tua Avó... pareces "enxertada em corno de cabra"! Olha, a mim não sais! Nunca pedias "colo" ou "mimo"... bem, à tua avó pedias! E ao teu pai... e não era bem "mimo": vinhas, chegavas ao pé dele, subias para as costas da cadeira, trincavas-lhe as orelhas e dizias: - Anda, pai, vamos jogar ao sério?! E ficavam os dois, horas, a olhar nos olhos um do outro a ver quem se ria primeiro... Pois, com o teu pai tu entendias-te! Mas nunca pedias "colo"... dizias-lhe: - Posso sentar-me na tua perna, pai? E o teu pai dizia-te: - Vá, na perna "boa"... e tu sentavas-te, encostavas-te a ele, ele punha o braço à volta da tua cintura e ficavam os dois calados... Quando cresceste e não podias sentar-te na perna dele, sentavas-te aos pés dele, no chão, encostavas-te às pernas dele, ele passava-te a mão pela cabeça e ficavam os dois na sala, mudos... Nunca vos vou entender...pois, porque vocês andavam sempre à guerra.... eram iguais!
Mas tu és muito arisca, sempre foste muito arisca... e o teu filho é como tu!"
E eu fiquei à espera de ouvir: - E ainda por cima, pões muita cebola na caldeirada! :-D
sexta-feira, 9 de abril de 2010
segunda-feira, 22 de março de 2010
Mulheres!
Depois do post de ontem, sobre o "outro homem da minha vida" e a poetisa Florbela Espanca, lembrei-me que nunca tinha escrito sobre a paixão do meu pai pelas mulheres. Não sendo um homem particularmente bonito era, sem dúvida, um homem muito interessante (tinha uns olhos lindos: castanhos escuros, grandes, "pestanudos" e tão expressivos! E tinha as orelhas mais lindas do mundo inteiro!!!). Digo que não era particularmente bonito, pelas fotografias da época, mas esta é uma avaliação pessoal. Tinha uma presença forte, fortíssima, jamais passando despercebido fosse onde fosse. Educado numa época onde a educação marcava a diferença de classes, o meu pai parecia um "Lord" quando estava para aí virado! Tinha uma inteligência bem acima da média e uma sede de aprender imensa. Aprender sobre tudo, desde o cultivo da batata, à criação de enguias, como fazer pão, arranjar lampreias, passando pelos estudos sobre o Copérnico e o Galileu, o curso de medicina e o de arquitectura...
Filho de uma família da burguesia industrial do início do Séc. XX, teve a melhor das educações: tanto em casa como nos colégios que frequentou. Os meus avós não pouparam na educação do filho. Tanto mais que, quando perceberam que o indicado para ele era a educação dos Jesuítas, mandaram-no para Espanha, para La Guardia, onde frequentou o Colégio*, até "fugir" para a Bélgica!
Voltando à sua paixão pelas mulheres, o meu pai era, à época, considerado um D. Juan! Muito embora eu já o tenha conhecido com bastante idade, consigo identificá-lo perfeitamente com a personagem... o meu pai tinha alma de conquistador. O meu pai era um conquistador! Mesmo com muita idade, manteve algumas das características de um bom conquistador (mais uma vez, é uma avaliação puramente pessoal!): um sorriso lindo, um ar de "sacana" fabuloso, uma conversa onde o mel escorria, uma educação primorosa e uns "olhares" que, se conquistavam a filha, imagino as mulheres!!! E, se a educação e a conversa se podem aprender, o sorriso lindo, o ar de "sacana" e a forma de olhar, nascem com as pessoas, jamais se aprendem. Aprende-se, quando muito, a fazer uso deles. E isso, o meu pai aprendeu muito bem! Se estas palavras estão carregadas de orgulho? Sim, estão! Muito embora eu não concorde com a ideia de um homem ter várias amantes, era comum, na época. Aliás, atrevo-me a dizer que era quase um sinal de classe, de estatuto social elevado, pois só quem tinha dinheiro podia manter outras mulheres! São muitas as histórias do meu pai com as mulheres, eu apenas sei algumas contadas por ele e, outras sussurradas por amigos dele... Não viveu o suficiente para a filha o questionar sobre "assuntos do coração"!
É celebre a história da Mimosa e do seu bandolim, a história da filha da "Bruxa" da Adémia, a história da "prima" Amália (sim, essa, a Rodrigues!) e, claro, a da Florbela Espanca (até certa altura, parece-me que o meu pai só escolhia mulheres mais velhas!). Existem, com certeza, mais, mas estas são as que ele confirmou, quer porque as contou à minha frente, quer pelo seu olhar sonhador, embevecido e saudoso que fez, quando as contaram ao pé dele...e que eu pude apreciar!
Algumas destas histórias coincidem com o primeiro casamento do meu pai, outras são da sua juventude e existem, com certeza, histórias da época da sua viuvez. Também existe uma história da época do casamento dos meus pais... pois!!! Mas aí, a minha mãe, que é a pessoa mais ciumenta que eu conheço à face da terra, contando com a minha madrinha como aliada, meteu-se num comboio, e apareceu ao meu pai na Pastelaria Suissa, quando ele tomava chá com a "dita"!!! Rezam as "crónicas familiares" que foi a última vez! A minha mãe, como boa ciumenta, não deve ter deixado o "crédito em mãos alheias"!
Esta faceta de D. Juan do meu pai sempre me divertiu, e não consigo vê-la como um facto negativo. Encaixa tão bem na sua personalidade que seria um "crime" não a exaltar, não a contar, não gostar dela ou, até escondê-la.
Enquanto estive a escrever este post, o meu pai "passeou-se" à minha frente, com o seu ar de "sacana", os seus olhares provocadores e as suas "falas" doces, de braço dado com algumas das suas "mulheres"... e ele tinha um ar tão feliz, mas tão feliz, que até eu fico de lágrima ao canto do olho, perante este testemunho de "amor" pelas mulheres!
*Nota histórica: Em Outubro de 1910, a Companhia de Jesus foi, pela terceira vez, expulsa e espoliada dos seus bens, em Portugal. O governo provisório da República restaurou a Lei pombalina de 1759. Após terem abrigo temporário na Holanda e na Bélgica, estabeleceram-se na vizinha Espanha, onde abriram, entre outros, o Colégio para alunos portugueses em La Guardia, no lado espanhol da foz do Rio Minho. Foi este, o "herdeiro" do famoso Colégio de Campolide, sendo em 1932 transferido para as Caldas da Saúde, Sto Tirso.)
Filho de uma família da burguesia industrial do início do Séc. XX, teve a melhor das educações: tanto em casa como nos colégios que frequentou. Os meus avós não pouparam na educação do filho. Tanto mais que, quando perceberam que o indicado para ele era a educação dos Jesuítas, mandaram-no para Espanha, para La Guardia, onde frequentou o Colégio*, até "fugir" para a Bélgica!
Voltando à sua paixão pelas mulheres, o meu pai era, à época, considerado um D. Juan! Muito embora eu já o tenha conhecido com bastante idade, consigo identificá-lo perfeitamente com a personagem... o meu pai tinha alma de conquistador. O meu pai era um conquistador! Mesmo com muita idade, manteve algumas das características de um bom conquistador (mais uma vez, é uma avaliação puramente pessoal!): um sorriso lindo, um ar de "sacana" fabuloso, uma conversa onde o mel escorria, uma educação primorosa e uns "olhares" que, se conquistavam a filha, imagino as mulheres!!! E, se a educação e a conversa se podem aprender, o sorriso lindo, o ar de "sacana" e a forma de olhar, nascem com as pessoas, jamais se aprendem. Aprende-se, quando muito, a fazer uso deles. E isso, o meu pai aprendeu muito bem! Se estas palavras estão carregadas de orgulho? Sim, estão! Muito embora eu não concorde com a ideia de um homem ter várias amantes, era comum, na época. Aliás, atrevo-me a dizer que era quase um sinal de classe, de estatuto social elevado, pois só quem tinha dinheiro podia manter outras mulheres! São muitas as histórias do meu pai com as mulheres, eu apenas sei algumas contadas por ele e, outras sussurradas por amigos dele... Não viveu o suficiente para a filha o questionar sobre "assuntos do coração"!
É celebre a história da Mimosa e do seu bandolim, a história da filha da "Bruxa" da Adémia, a história da "prima" Amália (sim, essa, a Rodrigues!) e, claro, a da Florbela Espanca (até certa altura, parece-me que o meu pai só escolhia mulheres mais velhas!). Existem, com certeza, mais, mas estas são as que ele confirmou, quer porque as contou à minha frente, quer pelo seu olhar sonhador, embevecido e saudoso que fez, quando as contaram ao pé dele...e que eu pude apreciar!
Algumas destas histórias coincidem com o primeiro casamento do meu pai, outras são da sua juventude e existem, com certeza, histórias da época da sua viuvez. Também existe uma história da época do casamento dos meus pais... pois!!! Mas aí, a minha mãe, que é a pessoa mais ciumenta que eu conheço à face da terra, contando com a minha madrinha como aliada, meteu-se num comboio, e apareceu ao meu pai na Pastelaria Suissa, quando ele tomava chá com a "dita"!!! Rezam as "crónicas familiares" que foi a última vez! A minha mãe, como boa ciumenta, não deve ter deixado o "crédito em mãos alheias"!
Esta faceta de D. Juan do meu pai sempre me divertiu, e não consigo vê-la como um facto negativo. Encaixa tão bem na sua personalidade que seria um "crime" não a exaltar, não a contar, não gostar dela ou, até escondê-la.
Enquanto estive a escrever este post, o meu pai "passeou-se" à minha frente, com o seu ar de "sacana", os seus olhares provocadores e as suas "falas" doces, de braço dado com algumas das suas "mulheres"... e ele tinha um ar tão feliz, mas tão feliz, que até eu fico de lágrima ao canto do olho, perante este testemunho de "amor" pelas mulheres!
*Nota histórica: Em Outubro de 1910, a Companhia de Jesus foi, pela terceira vez, expulsa e espoliada dos seus bens, em Portugal. O governo provisório da República restaurou a Lei pombalina de 1759. Após terem abrigo temporário na Holanda e na Bélgica, estabeleceram-se na vizinha Espanha, onde abriram, entre outros, o Colégio para alunos portugueses em La Guardia, no lado espanhol da foz do Rio Minho. Foi este, o "herdeiro" do famoso Colégio de Campolide, sendo em 1932 transferido para as Caldas da Saúde, Sto Tirso.)
sábado, 12 de dezembro de 2009
Conversas...
... com o "homem da minha vida"!
À noite, já na cama, depois de ler a história e já de luz apagada:
- Mãe?!
- Diz, filho...
- Sabes mãe, eu pedi ao Pai Natal do Fórum, a pista do Spider Man que eu já tenho...
- Eu sei, filhote, mas não percebi: se já tens, porque pediste outra ao Pai Natal?!
- Pois... sabes mãe, aquele Pai Natal não é a sério!
- Não?!?!
- Não, mãe! Eu vi! Era uma pessoa disfarçada de Pai Natal! Eu vi por trás da barba! Era uma pessoa! Não é o Pai Natal a sério! Era uma pessoa disfarçada com o fato!
- Tens a certeza?!
- Sim, tenho! Quando vir o Pai Natal a sério é que lhe vou pedir a pista nova do Faísca, sabes, aquela que tem o Mac que não saí... É essa que eu quero!
À noite, já na cama, depois de ler a história e já de luz apagada:
- Mãe?!
- Diz, filho...
- Sabes mãe, eu pedi ao Pai Natal do Fórum, a pista do Spider Man que eu já tenho...
- Eu sei, filhote, mas não percebi: se já tens, porque pediste outra ao Pai Natal?!
- Pois... sabes mãe, aquele Pai Natal não é a sério!
- Não?!?!
- Não, mãe! Eu vi! Era uma pessoa disfarçada de Pai Natal! Eu vi por trás da barba! Era uma pessoa! Não é o Pai Natal a sério! Era uma pessoa disfarçada com o fato!
- Tens a certeza?!
- Sim, tenho! Quando vir o Pai Natal a sério é que lhe vou pedir a pista nova do Faísca, sabes, aquela que tem o Mac que não saí... É essa que eu quero!
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
A tradição já não é o que era...
Já estamos perto do Natal. Desde que nasceu o "homem da minha vida", que eu digo: "- É este ano! Tenho que o levar a Lisboa para ver as luzes de Natal!" E passa o mês de Dezembro e o puto continua sem lá ir, para ver as tão proclamadas luzes de Natal. Vamos ver se é este ano...
Era um ritual do meu pai, ir a Lisboa, pelo menos uma vez por mês. Mas era mesmo obrigatória uma ida antes do natal. Começou por ser para "abastecer" a casa do bom e do melhor, com artigos que só em Lisboa se encontravam e, com o meu nascimento, converteu-se em mostrar Lisboa à "menina"! Ficávamos sempre uma semana. A minha mãe desesperava: tanta coisa para fazer para o Natal, e o meu pai a perder tanto tempo em Lisboa. Durante essa semana, eu passeava na baixa lisboeta todos os dias!
Na altura, Lisboa tinha as iluminações de Natal mais fantásticas do país. Nenhuma cidade lhe chegava aos pés. Qual Funchal?! Iluminações de Natal eram em Lisboa! E eu amava! Mesmo! Lembro-me da minha excitação, ao chegar à Praça da Figueira e ver todas as ruas cheias de luzes. É a minha imagem de Natal preferida: a baixa de Lisboa iluminada para o Natal. A sério! Ainda hoje, lembrar-me disto, me deixa um sorriso tonto espalhado na cara! E uma vontade imensa de voltar a ser criança e andar por Lisboa, pela mão do meu pai...
O meu pai ia para o seu "santuário": a Livraria Bertrand, no Chiado. Passava lá grande parte dos dias! Mas organizava as minhas "visitas"! Na véspera de irmos embora, tínhamos um percurso bem definido: os Armazéns Eduardo Martins (de onde vinham os cortes de fazenda para os fatos e os tecidos finos para os vestidos), a mercearia fina Jerónimo Martins (as melhores frutas tropicais, que o meu pai fazia questão de ter na mesa de Natal, os figos secos, as nozes...), a Casa Batalha, enfim o "subir o Chiado"a fazer compras. Não esquecendo a visita à Havaneza, para comprar os charutos e a ida (sem mim!) ao Bazar Thadeus (de onde vieram algumas das mais fantásticas prendas de Natal que eu tive!).
Durante essa semana, eu e a minha mãe palmilhávamos toda a baixa: Rua da Prata, Rua do Ouro, Rua Augusta... Ou melhor, toda a zona entre o Martim Moniz e o Terreiro do Paço que tivesse comércio. Que eram quase todas as ruas! Fazíamos quilómetros! Mas o meu pai não deixava que fossem apenas compras: eram obrigatórias as idas ao Coliseu dos Recreios, para ver o Circo, ao Aquário Vasco da Gama, ao Museu dos Coches... Durante anos, vi todos os espectáculos de Circo de Natal, que passaram no Coliseu. Deve ser por isso que detesto Circo: overdose!
Faltam as castanhas! Que também era tradição comprá-las logo à entrada da Rua Augusta e percorrer a baixa com o pacotinho na mão, a descascá-las e a comê-las. E falta a história das escadas rolantes nos Armazéns Eduardo Martins, as histórias da Livraria Bertrand, dos "Duchaisses" com chocolate quente, na Pastelaria Suissa, e os bifes panados com esparregado, no Novo Dia... faltam tantas histórias aqui... Ah, a história do Bolo-Rei, que vinha pelo correio todos os anos, da Pastelaria Castanheira, ali nas Portas de Santo Antão, e que trazia sempre dois brindes...
Histórias vividas a três, com Lisboa como pano de fundo. Uma Lisboa que já quase não conheço, mas que continua na minha memória, tal qual lá estivesse estado ontem, pela mão do meu pai!
Era um ritual do meu pai, ir a Lisboa, pelo menos uma vez por mês. Mas era mesmo obrigatória uma ida antes do natal. Começou por ser para "abastecer" a casa do bom e do melhor, com artigos que só em Lisboa se encontravam e, com o meu nascimento, converteu-se em mostrar Lisboa à "menina"! Ficávamos sempre uma semana. A minha mãe desesperava: tanta coisa para fazer para o Natal, e o meu pai a perder tanto tempo em Lisboa. Durante essa semana, eu passeava na baixa lisboeta todos os dias!
Na altura, Lisboa tinha as iluminações de Natal mais fantásticas do país. Nenhuma cidade lhe chegava aos pés. Qual Funchal?! Iluminações de Natal eram em Lisboa! E eu amava! Mesmo! Lembro-me da minha excitação, ao chegar à Praça da Figueira e ver todas as ruas cheias de luzes. É a minha imagem de Natal preferida: a baixa de Lisboa iluminada para o Natal. A sério! Ainda hoje, lembrar-me disto, me deixa um sorriso tonto espalhado na cara! E uma vontade imensa de voltar a ser criança e andar por Lisboa, pela mão do meu pai...
O meu pai ia para o seu "santuário": a Livraria Bertrand, no Chiado. Passava lá grande parte dos dias! Mas organizava as minhas "visitas"! Na véspera de irmos embora, tínhamos um percurso bem definido: os Armazéns Eduardo Martins (de onde vinham os cortes de fazenda para os fatos e os tecidos finos para os vestidos), a mercearia fina Jerónimo Martins (as melhores frutas tropicais, que o meu pai fazia questão de ter na mesa de Natal, os figos secos, as nozes...), a Casa Batalha, enfim o "subir o Chiado"a fazer compras. Não esquecendo a visita à Havaneza, para comprar os charutos e a ida (sem mim!) ao Bazar Thadeus (de onde vieram algumas das mais fantásticas prendas de Natal que eu tive!).
Durante essa semana, eu e a minha mãe palmilhávamos toda a baixa: Rua da Prata, Rua do Ouro, Rua Augusta... Ou melhor, toda a zona entre o Martim Moniz e o Terreiro do Paço que tivesse comércio. Que eram quase todas as ruas! Fazíamos quilómetros! Mas o meu pai não deixava que fossem apenas compras: eram obrigatórias as idas ao Coliseu dos Recreios, para ver o Circo, ao Aquário Vasco da Gama, ao Museu dos Coches... Durante anos, vi todos os espectáculos de Circo de Natal, que passaram no Coliseu. Deve ser por isso que detesto Circo: overdose!
Faltam as castanhas! Que também era tradição comprá-las logo à entrada da Rua Augusta e percorrer a baixa com o pacotinho na mão, a descascá-las e a comê-las. E falta a história das escadas rolantes nos Armazéns Eduardo Martins, as histórias da Livraria Bertrand, dos "Duchaisses" com chocolate quente, na Pastelaria Suissa, e os bifes panados com esparregado, no Novo Dia... faltam tantas histórias aqui... Ah, a história do Bolo-Rei, que vinha pelo correio todos os anos, da Pastelaria Castanheira, ali nas Portas de Santo Antão, e que trazia sempre dois brindes...
Histórias vividas a três, com Lisboa como pano de fundo. Uma Lisboa que já quase não conheço, mas que continua na minha memória, tal qual lá estivesse estado ontem, pela mão do meu pai!
terça-feira, 10 de novembro de 2009
... a beber o resto do café...
... hmmm, tá como eu gosto, frio... Brrrr, tá amargo.... anda, dá-me lá o resto do pacote de açúcar! Já sabes que gosto dele frio, mas bem doce... pois é, estas coisas não são fáceis, não. Mas também, agora o que podemos fazer? Pouco, não é?! Sim, ir gerindo. Pois, temos dias... olha, vale-nos que, nós somos boas a lidar com estas cenas e cá nos vamos equilibrando... sim, as escolhas foram nossas. E não é arrependimento, é só constatar factos... é, pois é, sabe bem falarmos, não sabe?! O quê?! Temos reunião com a "croma" do outro gabinete?! Pera lá, só mais um bocadinho... Tenho que me pôr má... ai, a seguir ao almoço, vou ficar cheia de azia...
... e do resto, vamos falando... essa tua clareza é extraordinária... e continuas a ser a pessoa que conheço que melhor "relativiza"!
Vá, pronto, bora lá aturar a "croma", ó policia bom...
(Faltou o: ...hmmm, pera lá, deixa-me fumar um cigarrinho primeiro! Depois vamos!)
... e do resto, vamos falando... essa tua clareza é extraordinária... e continuas a ser a pessoa que conheço que melhor "relativiza"!
Vá, pronto, bora lá aturar a "croma", ó policia bom...
(Faltou o: ...hmmm, pera lá, deixa-me fumar um cigarrinho primeiro! Depois vamos!)
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
Conversas...
... com o "homem da minha vida"!
- Olha, vá, vamos embora!
- Não, não quero ir embora! Quero ficar aqui a jogar futebol!
- Olha, nós tínhamos combinado que demorávamos pouco tempo!
- Mas agora eu quero continuar a jogar futebol!
- Anda lá, deixa-te de cenas... eu quero ir para casa...
- Olha, mãe, vai para dentro, está a ficar frio cá fora para ti!!
E como não aguentei o ataque de riso, fui....!
Dez minutos depois:
- Vá, anda lá, agora temos mesmo que ir!
- Porquê? Eu ainda não acabei de jogar!
- Acabas de jogar em casa!
- Não, não é a mesma coisa!
- Claro que é!
- Não é não! Lá não tenho esta bola!
- Ó melga, tens outras... vamos embora!
- Mas eu quero jogar com esta!
- Que chatice! Anda lá embora...
- Ó mãe, vai ver as notícias que depois vamos....
E agora, expliquem-me, estas coisas vêem escritas no código genético masculino, não vêem??! Na secção "Como despachar uma mãe"! É a única explicação que encontro!
- Olha, vá, vamos embora!
- Não, não quero ir embora! Quero ficar aqui a jogar futebol!
- Olha, nós tínhamos combinado que demorávamos pouco tempo!
- Mas agora eu quero continuar a jogar futebol!
- Anda lá, deixa-te de cenas... eu quero ir para casa...
- Olha, mãe, vai para dentro, está a ficar frio cá fora para ti!!
E como não aguentei o ataque de riso, fui....!
Dez minutos depois:
- Vá, anda lá, agora temos mesmo que ir!
- Porquê? Eu ainda não acabei de jogar!
- Acabas de jogar em casa!
- Não, não é a mesma coisa!
- Claro que é!
- Não é não! Lá não tenho esta bola!
- Ó melga, tens outras... vamos embora!
- Mas eu quero jogar com esta!
- Que chatice! Anda lá embora...
- Ó mãe, vai ver as notícias que depois vamos....
E agora, expliquem-me, estas coisas vêem escritas no código genético masculino, não vêem??! Na secção "Como despachar uma mãe"! É a única explicação que encontro!
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
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