terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Blue...

... but not blue! :-)

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Meu filhote de leão:

Pensei em escrever-te um texto cheio de elogios, pelos sete anos em que estamos juntos. Elogios merecidos, já que saíste "melhor que a encomenda", digo eu, cheia de orgulho... Mas pensei melhor... E lembrei-me de uma história nossa, da qual tu só recordas alguns bocados. Achei que devia escrevê-la toda para que, um dia, tu a possas ler e saber como era a nossa relação!

Não quero que me imagines uma mãe perfeita, uma mãe que é só mãe, que não tem vida para além de ti. Quero que penses em mim como uma mulher inteira, com amores e desamores, que te ama acima de tudo, mas que tem uma vida para além de ti... assim como quero que tu tenhas uma vida, só tua, para além de mim... Digo-te muitas vezes que vou estar sempre aqui, como teu porto de abrigo, sempre que as tempestades "lá de fora" te abalarem... porque são as "tuas" tempestades, não as "minhas", tens que ser tu a vive-las e não eu... mas o porto de abrigo estará sempre aberto, terás sempre um colo, um ombro, os meus ouvidos e muitos conselhos! Terás sempre uma MÃE!

Quando faço estas introduções, tu dizes-me sempre: - Mãe, então e a história?! Não contas?!

Já lá vão quase dois anos. Eu andava triste, muito triste, tão triste que nem sabia o que fazia... mas o meu maior medo eras tu: como estarias tu a ver a minha tristeza?! Como estarias tu a sentir a minha tristeza?! Pensarias que era por tua causa?! E essa ideia deixava-me com "os cabelos em pé"! Como se explica a um miúdo que se teve um desastre amoroso?! Tu nem sabias que eu tinha tido "alguém", como é que eu te ia explicar que tinha deixado de ter?! E que essa era a raiz da minha tristeza?! 
Optei por uma história! Tu gostas de histórias, gostas que te conte histórias... E a história era sobre uma Rainha. Uma Rainha que tinha um Príncipe e que vivia num castelo, sozinha com ele. E era feliz!

Mas...

As Rainhas são mulheres! E, por muito que gostem e sejam felizes com os seus Príncipes, por vezes precisam de Reis! E, às vezes, há Reis que se cruzam com as Rainhas e... bom, as Rainhas começam a gostar desses Reis... não deixam de gostar dos Príncipes e continuam a reinar no seu castelo, mas têm lugar no seu coração para gostar (também) de um Rei.
Neste ponto da história, tu, com essa tua sensibilidade que só mostras quando estás sozinho comigo, perguntaste: - Mãe, tu és a Rainha?! E eu sou o Príncipe?! Abracei-te e, juro, comecei a chorar... Estavas a perceber tão bem a minha "história"! Tinhas-me poupado a parte onde eu assumia que era a Rainha... Faltava agora a parte difícil de te explicar a minha tristeza e a sua causa... Disse-te que sim, que era eu a Rainha e tu, o Príncipe! E passei à parte complicada...

Nem sempre os Reis gostam das Rainhas! Por vezes acham que gostam e, afinal, não gostam! Mas é difícil para as Rainhas perceberem isso... por vezes, os Reis não são claros, não se sabem explicar e deixam as Rainhas confusas... E perguntaste-me tu: - Mãe, tu estás confusa?! Ri-me e disse-te que já não estava! Que já tinha estado, mas que tinha percebido que o Rei não queria esta Rainha. Não tinha sido fácil perceber isso, mas eu tinha lá chegado: o Rei não me queria como sua Rainha! E era por isso que eu andava triste! Do "alto" dos teus cinco anos, onde eu reinava como tua Rainha, perfeita e sem defeitos, tu perguntaste: - Porquê?! Porque é que esse Rei não te quis?! Ó mãe, tu dás beijos tão bons e fazes a melhor canja de todas... Gargalhadas minhas! Tu, meu filho, estavas a conseguir transformar uma confissão difícil, num momento de intimidade extraordinário, onde as minhas explicações estavam a ser facilitadas pelos teus cinco anos e pelo teu pensamento claro como água. Disse-te que as relações entre os Reis as Rainhas não são só feitas de beijos e de canja: existem outras coisas, que só os adultos compreendem... e nem sempre compreendem tudo! Eu também não compreendia muito bem porque é que o Rei não me queria, mas tinha que aceitar a decisão dele! A minha tristeza nascia daí: de continuar a gostar do Rei, de não perceber porque é que ele, afinal não gostava de mim, de não compreender muito bem tudo e de ter que aceitar a sua decisão.

A tristeza nada tinha a ver com o Príncipe, nem com o seu comportamento: o Príncipe continuava a ser o Príncipe e a Rainha a gostar muito dele! Puseste os teus braços à minha volta e disseste: - eu gosto muito de ti, mãe! Com a tua cara encostada ao meu ombro, ainda abraçado a mim, pedi-te paciência para comigo. Expliquei-te que podia haver dias onde os ralhetes seriam mais duros, dias em que não me ia apetecer rir nem achar piada às palhaçadas, mas que tudo ia passar... só precisava que tivesses alguma paciência comigo, por algum tempo... e que nunca, mas nunca, pensasses que o meu mau humor era por tua causa!

Disse-te que a história tinha terminado, que eram horas da canção de boa noite e de dormir... antes de adormeceres, perguntaste quem era esse Rei, se o conhecias... disse-te que sim, que o conhecias, mas que não te ia dizer quem era! Não interessava para a nossa história quem era esse Rei. Era um homem, ponto. Mas a tua curiosidade falou mais alto: mencionaste quase todos os meus amigos e, no meio deles, o dito Rei... ainda bem que as luzes estavam apagadas e que não viste as minhas lágrimas a correrem cara abaixo: ter-me-iam denunciado e tu, ficarias a saber quem ele era... isso não! Não te posso proteger completamente dos meus desastres amorosos, mas quero sempre proteger alguma da minha intimidade!

Sei que não esqueceste a "história"! Já houve outras alturas em que andei triste, e em que tu me perguntaste se era por causa de algum Rei... :-)
Sabes, meu filho, são estas histórias que fazem a nossa "história"... que mostram que, o que sentimos um pelo outro, nos vai manter unidos o resto da vida... mesmo que gostemos de outras pessoas!

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Declaração de Independência

 (Perspectiva puramente individual e feminina da questão da independência. Mas muitas partes deste post são absolutamente uni-sexo: podiam ser escritas por um ele!)

E depois, há a questão da independência. Das pessoas independentes. Iguais a todas as outras mas com um grau de autonomia acima da "média". Falo sobretudo, das mulheres. Daquelas que vão sozinhas à oficina arranjar o carro, que sabem pôr óleo no motor, pegar numa black&decker e furar paredes, montar móveis do Ikea, emfim, que decidem sozinhas "tudo e mais um par de botas"!
Não ficamos à espera da hora do jantar, para nos "queixarmos" e alguém nos trazer miraculosamente a solução. Até porque, se o fizermos, não estamos à espera que resolvam o problema, estamos a desabafar, pura e simplesmente... estamos a partilhar informação, não à espera de uma solução!

Isto costuma ser um grande problema para os homens: partem do princípio que as nossas "queixas" exigem a sua participação directa! WRONG! Só queremos mesmo que nos ouçam! Estamos habituadas a tratar dos nossos problemas. Por piada eu digo muitas vezes que, quando quiser um cavaleiro andante, tenho boca para o pedir (e já pedi muitas vezes e continuarei a pedir sempre que precisar!). Até lá, ouçam-me, dêem-me um ombro para eu me encostar, um par de braços para me abraçar e deixem-me aninhar contra alguém no sofá! Se há coisa que nos "acalma", é isso: carinhos, mimos, abraços e muito aconchego! E, acreditem, isto faz milagres, para além de evitar imensas discussões numa relação...

Por questões genéticas, de educação, por necessidade e /ou por opção, o ser independente é como uma bandeira que vai à nossa frente. Não se carrega esta bandeira por superioridade ou incapacidade de partilhar. Faz parte de nós, é o nosso quotidiano, é a nossa forma de ver o mundo e de lidar com ele. Não queremos afastar ninguém... só estamos habituadas a lidar sozinhas com tudo o que aparece...

Sim, mas também sabemos partilhar e gostamos de partilhar. Sim, também nos sabe bem, de vez em quando, entregar os pontos e "renderrmo-nos"... mas quando nos "rendemos" é porque queremos! E rendemo-nos aos mimos, aos carinhos e também à partilha. Porque partilhar é bom!
Sim, nós sabemos partilhar, só não gostamos é que nos impunham a obrigatoriedade da partilha. Somos independentes, lembram-se?! Até gostamos que se preocupem connosco, mas não nos sufoquem, please...
Não gostamos de imposições, obrigações, de cobranças! Partilhamos porque queremos, porque também é bom partilhar, porque nos sentimos bem a partilhar. Mas não temos que partilhar absolutamente TUDO!

Até porque, se não tivermos com quem partilhar, a nossa vida segue para a frente. Não nos encostamos a um canto, a chorar ou a curtir a "fossa", simplesmente seguimos em frente. Não andamos desesperadamente atrás de alguém com quem partilhar e construir uma vida. Temos a nossa vida, gostamos dela, fomos nós que a construímos, somos nós que a gerimos todos os dias, que assumimos todas as consequências... não estamos à espera de ninguém! Se aparecer alguém disposto a partilhar a nossa vida, com tudo o que a nossa independência acarreta, tanto melhor! Se não, continuamos a andar para a frente...

O porquê deste discurso?! Porque acredito que é possível duas pessoas poderem ter uma relação, sem deixarem de ser independentes. A independência não significa uma "não partilha" de vida e muito menos impossibilita uma relação (até porque temos famílias, filhos, amigos, interesses, trabalho e tudo isto envolve formas de partilha. Mais uma vez, nós sabemos partilhar!).
No caso de uma relação a dois, os princípios serão é sempre radicalmente diferentes da noção generalizada (diria quase institucionalizada) de relação a dois. Esqueçam a simbiose, a fusão, dois que são um, unos e indivisíveis, São dois, ponto! Podem ter objectivos comuns, mas são dois! E isto é sempre muito problemático, principalmente quando um deles é independente: o outro pode não perceber! Já quando são os dois... bom, aposto que muita conversa, bastante tolerância e algum "espaço" devem ser bons truques para que dois independentes se entendam... pelo menos percebem bem a noção de "'estão-me a sufocar, HELP!"

Se é fácil chegar ao ponto de equilíbrio?! Não deve ser... Se existe uma formula mágica?! Não existe, com certeza! Mas aposto que é possível! Vontade e, atrevo-me a dizer, maturidade farão parte dos ingredientes básicos e obrigatórios. Assim como também gostar do outro como ele(a) é... sem estar à espera que ela(e) mude!

(Post escrito depois de uma longa conversa, com uma das minhas amigas, também ela "independente"!) 

(Adenda a pedido da minha amiga: (e eu concordo ;-)) Também nos rendemos ao sexo! LOL)

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Grrrrrr.....

É pá, fico f.... com estas merdas!!! E já não é a primeira vez!!! Da outra vez foi um cromo da MEO, e agora foi um cromo da Telepac... 'tá bem, também é MEO, mas dizem eles que são departamentos diferentes!
Porque carga d'água hão-de achar que, só por ser mulher, não sei lidar com hardware e com software?! Mas que necessidade têm de se comportarem como homens da idade da pedra?!

Fico lixada!!! Como os gajos estão do outro lado da linha, não lhes posso acertar com uma murraça... é sempre o que me apetece fazer!!! Pior, das duas vezes eu tinha razão!!! Pelo menos este teve a decência de me pedir desculpas no fim do telefonema... mas depois de ter perguntado se eu não tinha um marido ou um namorado que me ajudasse, já não havia volta a dar-lhe: a minha irritação já tinha ultrapassado o meu grau (baixo!) de tolerância para os "machismos" que ainda grassam por aí!!!

P'ró raio que os parta!!! O outro perguntou se eu não tinha um vizinho "homem" que fizesse os testes à box, depois de eu já os ter feito todos e ter concluído que a box tinha pifado!!! Aliás, foi assim que comecei o telefonema! Não sou acéfala, nem burra!!! Mas tive que ouvir que "normalmente as senhoras não têm jeito para lidar com os equipamentos!" Pois!!! E alguém lhe disse que eu era uma senhora qualquer?! E mesmo que fosse, nada lhe dá o direito de "largar" estas pérolas de sabedoria machista!!!

Este parvalhão achava que eu não sabia configurar o software!!! Até perguntou se eu sabia o que era uma password!!! Onde raio é que vão desencantar estes cromos absolutamente pré-históricos?! E eu lá sou uma info-excluída?!?! Depois de ter posto a minha voz de "General", lá se convenceu a ver se o problema era do sistema deles... e não é que eu tinha razão?! Tinha as configurações todas em ordem: POP's, smstp's, password, redes... e já lhe tinha dito isso!!! Opsss, afinal era um erro do sistema dos gajos... Ah, p'ró raio que os parta!!! E pedir desculpas depois de várias "calinadas", já não resulta!!!

O grande problema é que nunca, mas nunca presto atenção ao nome dos cromos! Quero lá saber disso! Tenho um problema e quero resolvê-lo! Nem me passa pela cabeça "ouvir" o nome do cromo que me atendeu!
Enfim, 'tou com vontade de bater em alguém!!! Mas já consigo aceder à conta de mail da telepac... agora só preciso de um saco de box para aliviar a irritação!!!

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Receita caseira, feita com colher de pau!

Se é possível ter uma relação a vida toda?! Ou mesmo para o resto da vida?! Sim, claro que é possível! Agora, não será é nada fácil. Não existem formulas mágicas, nem receitas milagrosas e ainda não se vendem "relações instantâneas", daquelas que é só juntar água e... já está! Nem conheço manuais que ensinem a ter relações perfeitas (perfeição também não existe!) ou ditas normais.
É daquelas "cenas" onde até a generalização é perigosa: não existem duas pessoas iguais, nem duas relações iguais! Até nós somos diferentes de relação para relação. Comportamo-nos de forma diferente perante situações idênticas, consoante a pessoa que temos à nossa frente. Aqui também costuma entrar o passado, se lidámos bem ou mal com o que está para trás, se soubemos ultrapassar traumas, dramas, se temos ou não coragem de percorrer um caminho semelhante... porque nos pode levar a um desfecho semelhante... ou a um desfecho totalmente diferente...
Não me refiro às relações dos vinte anos, em que tudo é novo ou nos parece novo, em que ainda temos uma certa capacidade de acreditar que "tudo vai ser diferente".  Nessas não levantámos estas dúvidas. Podemos ter tido várias e ainda assim, continuámos a acreditar!

Mas, a partir de certa altura (impossível de nomear: pode ser idade, intensidade da relação anterior, forma como acabou, sei lá... todos temos triggers diferentes), parece-nos que tudo se pode repetir, da mesma forma, da mesma maneira ainda que com pessoas diferentes. E pomos em causa a possibilidade de termos ou de encontrarmos alguém com quem nos seja possível passar o resto da vida... Ficamos cínicos, desencantados e deixamos de investir em quem nos aparece pela frente...
Não deixamos de tentar ter relações, mas não as vivemos da mesma maneira, não entramos nelas de "corpo aberto"... entramos, simplesmente... e esquecemo-nos de levar connosco uma serie de ingredientes que deveriam ser obrigatórios (e eu, pecadora me confesso: também não tenho levado todos comigo...alguns precisam de trabalho e nem sempre tenho estado para "aí virada"... perdoem-me, portanto, a arrogância que vou ter ao nomeá-los! ).

Tolerância, compreensão, respeito pelo outro, respeito pelo "passado" do outro, diálogo (muito!), confiança (ainda mais!), capacidade/vontade de perdoar (imprescindível, porque todos nós erramos), independência (pelo menos para mim, que não acredito que dois possam ser só um), vontade de construir... e, detenho-me neste, porque me parece que é ainda mais importante que todos os outros... mais uma vez, perdoem-me lá a arrogância!
Vontade de construir! Uma relação é uma construção. Ou se constrói ou não existe. E, ou se tem vontade ou não! A paixão até nos pode iludir durante uns tempos, mas chega sempre uma altura em que, olhamos para trás e, ou temos ou não temos alicerces para continuar a construir.
Sem vontade de construir uma relação,  para nada nos servem os outros ingredientes. Mas são igualmente bons para amizades ou relações familiares. Agora, é preciso vontade para construir uma vida a dois... dá trabalho, não é só pôr ao lume e deixar lá ficar... e é diário, quer se esteja longe ou perto! Custa saber dosear os outros ingredientes: nunca sabemos se os estamos a usar na dose certa. E sem vontade, quem é que quer este trabalho todo?! Claro que este trabalho compensa, mas é preciso ter vontade para o fazer. E dos dois lados, se não, o "caldo entorna"...

Não, isto não dá para fazer na Bimby... e mesmo aí, temos que cortar os ingredientes e prepará-los... e se não tivermos o livro de receitas, não soubermos cozinhar e não tivermos vontade de aprender, corremos sérios riscos de não acertar com os temperos... Lá está, não é só pôr ao lume e ir embora... É preciso vontade para andar a "rondar" a panela, destapar, provar e dosear os ingredientes... e como eu disse que não havia receitas para relações: não dá mesmo para fazer na Bimby!!! É pôr ao lume, arregaçar as mangas, pegar na colher de pau e ter paciência para acertar com a "nossa" receita. Com ou sem avental, fica ao critério de cada um... ;-)

Mesmo com vontade e trabalho, podemos não ser bem sucedidos. Mas tentámos! E eu gosto de ficar de consciência tranquila... Não resultou?! Mas eu esforçei-me! Eu tive vontade de construir! Mas não quero deixar de acreditar é possível ter uma relação para o resto da minha vida!

(E agora, vou imprimir o que escrevi e colar no espelho da minha casa de banho, com a seguinte instrução: LER TODOS OS DIAS, ANTES DE LAVAR OS DENTES! Pelo menos 3 vezes por dia, tomo o meu próprio remédio! ;-)

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Ano Novo Chinês

(Ui, que isto está cheio de pó e teias de aranha.... Esqueci-me de pôr um lençol por cima dos móveis e está tudo cheio de pó.... a ver se não me esqueço, para a próxima ausência.... )

Leng Loi!.... Surgiu assim, numa brincadeira do Facebook. Quem a escreveu jamais saberá o bem que me fez ouvi-la outra vez. Foi como regressar a um tempo feliz e à companhia de quem me chamava a "sua" Leng Loi. Fiquei com lágrimas nos olhos e um nó na garganta, mas contente, feliz e bem disposta com as memórias que me trouxe...

Podia ser o meu pai, mas não era. Era o meu padrinho de baptismo! Talvez o 2º homem mais importante da minha vida, com quem eu tinha uma relação extraordinária. Eu era a "sua" Leng Loi!
Um homem seco, de poucas palavras, poucos sorrisos e pouco dado a demonstrações "públicas" de afecto, que acreditava que o melhor para uma criança era o "tough love"... Mas dentro do seu "tough love" eu tinha alguns privilégios: chamar-me Leng Loi era um deles. Nada mais é que "linda menina", expressão banal que usamos todos os dias, desprovida de significado intenso. Para ele, que me chamava "rapariga" cada vez que não gostava do que eu fazia, era uma expressão carregada de carinho e de afecto. A minha Madrinha encarregou-se, muito cedo, de me explicar o quão privilegiada eu era por ele me chamar Leng Loi... Eu percebi e sentia-me no "céu" quando era presenteada com ela! Meia dúzia de palavras em cantonês, que a minha Madrinha me ensinou, ditas na "hora certa" e lá vinha o Leng Loi, com um sorriso e direito a sentar-me no colo dele... esquecia as minhas travessuras, achava-me graça e esquecia-se do "tought love".
Criticava firmemente a minha Madrinha por ela me dar tantas coisas, dizia que me iam "estragar", mas não resistia quando eu lhe agradecia em cantonês, os Lai See, as roupinhas de seda ou as bonecas chinesas! "Tought", mas não resistia à afilhada preferida a "arranhar" o chinês, para lhe agradar!

Pois é, por vezes são as coisas mais simples, mais insignificantes e ditas sem qualquer intenção, que nos fazem bem à "alma" e que nos põem bem dispostos e com um sorriso "estúpido" estampado na cara! O meu sorriso está cá desde ontem!

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Psssst...


...ah,ah,ah,ah!

sábado, 8 de outubro de 2011

sábado, 1 de outubro de 2011

Pão quentinho...

... e a importância de levantar a mesa do pequeno almoço:

(...)" encurralas-me contra a mesa posta para o pequeno-almoço, as duas chávenas coloridas no centro dos dois individuais e no meio os frascos com o doce de gila e a compota de maçã, a favorita dele. À sua lembrança, consigo até sorrir-te como se não estivesse a morrer e tento encaminhar-te para a saída com a firmeza gentil de um cão-guia, mas tu agarras-me pelos ombros e deitas-me na mesa sem fazeres qualquer esforço, embora pareça que sim. Entramos então em guerra, numa pegadilha de bocas e pernas, de mãos e línguas e unhas. Demoras-te de modo insuportável antes de entrares em mim, queres que suplique embora saibas que isso nunca acontece: não preciso. Abres o frasco que rola pelo bordo da mesa e espalhas com dois dos teus dedos a compota favorita dele na minha barriga. Lambes-me o umbigo com gula e eu penso que nunca houveramos feito nada de tão cruel - nem nos seminários inventados, nem nos motéis suburbanos a meio da tarde. Abafo um grito quando me entras e esbracejo – não sei se de pânico se de gozo - e as chávenas caem por fim, espalhando pedaços coloridos de porcelana barata no mosaico preto. A velha do andar de baixo, que está cega mas não é surda, pensa que foi o gato, que às vezes a espreita do beirado, e sorri. Entretanto, eu recuso-te, enquanto me abro e palpito: sou uma flor carnívora em olímpica amplitude. Venho-me de olhos fechados, a gritar não e a afastar-te do meu corpo, prefiro abraçar uma mesa. Sempre assim, é sempre assim: tu a demorares-te na entrada e a demorares-te a entrar em mim, a fazeres com que eu grite e com que os vizinhos nos ouçam, as partires as minhas chávenas e a estilhaçares-me o quotidiano. E eu a fingir que não quero, que és tu que me obrigas, que ele prefere o doce de gila e que o barulho foi o gato."

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Ah,ah,ah,ah


Podia muito bem ser eu, no lugar dele! Recordar-me de certas datas é mais uma razão para eu manter o blog... desde que eu me lembre de as "apontar" no blog...

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

State of mind



Hoje, apeteceu-me ouvir isto... e por uma razão!

sexta-feira, 23 de setembro de 2011



Hoy buscas en mí un amigo
que haga un poco
porque alcances lo que anhelas,
un amigo sería yo
si te apoyara
contra todo lo demás
a un amigo tu dicha le haría feliz
aunque esta te llevara lejos
y te fueras más allá
de donde yo te habría
podido acompañar.

No me pidas ser tu amigo
porque hay cosas en mí
que este día no entiendo
por ejemplo: que no puedo ser ese
alguien que piensa en la comprensión
y ésta solo me daría tranquilidad
si a la vez tu me comprendieras,
esta tarde que me hace abrazarte fuerte
cuando me dices adiós.

Un amigo te diría
que todo marcha
mientras se muerde los labios,
y por ti, no extrañaría cada fin de año
los días que no volverás.

Un amigo dejaría
de hablar de cosas
que sabe que te harán falta
para hablarte de lo que hay más adelante
aunque yo me quede atrás.

Sé que siempre fui el contigo
que tuviste cada instante de tu vida,
alguien que lo daba todo
sin pedirte ni siquiera la verdad.

Siempre tuviste a este cómplice
que vino sin que le necesitaras
porque concebía el mundo
desde tus ojos
si ellos me querían mirar.

No me pidas ser tu amigo
cuando me dejas saber
que ya te marchas
no soy tan civilizado
para comprender
sabiendo que te vas,
para ti seré aquel
que hoy lo pierde todo
porque no supo escucharte
que para mí sólo
seré un extraño en paz
que nunca te dejó de amar.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

sábado, 17 de setembro de 2011

JB...

...este é para ti! ;-)

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

(1/2) Acto de Contrição


Porque já dizia a minha Avó que "quem desdenha quer comprar"... e, acrescento eu, que "para bom entendedor, meia palavra (devia) basta(r)"!


quarta-feira, 14 de setembro de 2011

So wise!

"Meninos dão bombons, homens dão segurança...
Meninos mandam mensagens, homens ligam...
Meninos falam, homens conversam...
Meninos ignoram-te quando estão com os amigos, homens apresentam-te...
Meninos avisam da festa de hoje à noite, homens vão buscar-te para a festa...
Meninos pedem desculpas, homens reconquistam-te a cada dia...
Homens são raros e meninos estão em qualquer esquina!"

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Se...

"If"

If you can keep your head when all about you
Are losing theirs and blaming it on you,
If you can trust yourself when all men doubt you
But make allowance for their doubting too,
If you can wait and not be tired by waiting,
Or being lied about, don't deal in lies,
Or being hated, don't give way to hating,
And yet don't look too good, nor talk too wise:

If you can dream--and not make dreams your master,
If you can think--and not make thoughts your aim;
If you can meet with Triumph and Disaster
And treat those two impostors just the same;
If you can bear to hear the truth you've spoken
Twisted by knaves to make a trap for fools,
Or watch the things you gave your life to, broken,
And stoop and build 'em up with worn-out tools:

If you can make one heap of all your winnings
And risk it on one turn of pitch-and-toss,
And lose, and start again at your beginnings
And never breathe a word about your loss;
If you can force your heart and nerve and sinew
To serve your turn long after they are gone,
And so hold on when there is nothing in you
Except the Will which says to them: "Hold on!"

If you can talk with crowds and keep your virtue,
Or walk with kings--nor lose the common touch,
If neither foes nor loving friends can hurt you;
If all men count with you, but none too much,
If you can fill the unforgiving minute
With sixty seconds' worth of distance run,
Yours is the Earth and everything that's in it,
And--which is more--you'll be a Man, my son!

By Rudyard Kipling (1865-1936).

domingo, 11 de setembro de 2011

Dizem-me sempre o mesmo: "- Mas ela está com óptimo aspecto! Nem parece que tem 80 anos... olhando para ela ninguém diria que está doente!"

E eu concordo e acrescento que estás com óptimo aspecto, aliás estás muito melhor do que antes de adoeceres. Desapareceu o teu ar de sofrimento, de inquietude, de desconforto, de insatisfação... nunca estavas satisfeita com nada! A tua vida era um drama, tudo te metia confusão, tudo te metia medo, nunca estavas satisfeita com o que tinhas. Por mais que tivesses querias sempre mais. Nunca estavas bem num sítio, querias sempre estar onde não estavas. Irritava-te a capacidade que os outros tinham de relaxar, de acalmar: tinhas que estar sempre preocupada. O tempo, o nevoeiro, as incontáveis obras desnecessárias que fizeste nas tuas casas, o dinheiro, e a tua saúde...principalmente a tua saúde!
O AVC "varreu" tudo da tua cabeça: as dores imaginárias, as doenças inventadas, os medos, as fobias, a insatisfação, o sofrimento que tudo o que imaginavas te causava. Finalmente tens um ar relaxado: não te lembras das costas, do joelho, dos ouvidos, da cabeça, da empregada, das obras, do jardim, das casas, dos inquilinos, das lojas, do dinheiro. 

Continuas uma excelente actriz: percebo quando não conheces as pessoas, que não sabes quem são, mas sorris como se as conhecesses. Não distingues o copo da água do frasco do perfume ou da bisnaga de creme: é tudo para beber! Não distingues o garfo da caneta: é tudo para a boca! Não distingues as bolachas das flores: é tudo para comer! Não reconheces o teu nome escrito num papel! Mas não perdeste a tua capacidade de ser actriz... mostras-te contente, agradada... com os outros, claro...comigo não!

Entro e fico à porta, à espreita... as auxiliares mimam-te, dão-te atenção e tu sorris, contente, satisfeita. Entro. Chego-me ao pé de ti, dou-te um beijo na testa, pego-te na mão e digo-te: - olá, mãezocas! Olhas fixamente para mim, reconheces-me a voz, reconheces a minha cara... e a tua expressão muda... 

É aquela expressão que muito bem conheço. Aquela com que me recebias, no alto das escadas, à porta da cozinha e que tantas vezes me fez apetecer voltar para trás, pegar no carro e vir-me embora. Nunca to fiz, por respeito à memória do meu pai, mas disse-te várias vezes que o faria se não mudasses a expressão. E tu mudavas, porque temias que eu o fizesse...

Sabias bem que a "chantagem emocional" não resultava comigo, mas tentavas sempre. Chamavas-me dura, seca, acusavas-me de não te ligar, de não te dar atenção, de não te abraçar. Acusavas-me de ter dado mimos e carinhos ao pai, de me abraçar a ele, de lhe dar beijos, de lhe morder as orelhas, de adormecer agarrada ao pescoço dele, e não te fazer nada disso... vinte e muitos anos depois de ele ter morrido, os ciúmes ainda continuavam...

Eu sei que a tua expressão era a derradeira tentativa para que eu tivesse "pena" de ti e que, com isso, te tratasse como o tratava. Querias que olhasse para ti, "vitima", "pobre coitadinha", "desgraçadinha", com ar de "quem vai morrer amanhã" e que te consolasse das dores e angústias imaginárias... Nunca percebeste que o que fazia ao pai era porque o meu coração mandava, que nada tinha a ver com "pena", que ele nunca me pediu nada, nem nunca pediria. Ele nunca se fez de "vitima", "pobre coitado" ou "desgraçadinho", mesmo sabendo que podia mesmo "morrer amanhã"! 

Mas olha, não precisas de fazer essa expressão agora! Tens tudo o que ele teve: mimos, carinhos, beijos, abraços, cuidados extremos...não porque os pedes, mas porque precisas, não por pena, mas porque o meu coração manda...

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Hummm...

"Apaixona-te por alguém que te ame, que te assuma, te compreenda mesmo na loucura.
Apaixona-te por alguém que te ajude, que te guie, que seja o teu apoio, teu sonho bom. Que diga EU AMO-TE com atitudes e não apenas com palavras.
Apaixona-te por alguém que converse depois de uma discussão, reconhecendo o erro e peça desculpas com o coração.
Apaixona-te por alguém que sinta a tua falta e precise de ti a sorrir." (via FB)
... isto até seria muito "lindo", se pudéssemos escolher por quem nos apaixonamos... 

domingo, 4 de setembro de 2011

"Lee", a Tempestade

Tempestade Tropical "Lee"!



Vá lá, não se transformou em furacão... Só chuva e vento... Nada de "furacão loiro"!
O que só vem provar que nem sempre as grandes tempestades dão grandes furacões: podem enfraquecer e ser apenas um belo "pé de vento"... ;-)

domingo, 24 de julho de 2011

For the record...

... a música de abertura do 1º concerto ao vivo do "homem da minha vida":



A segunda foi mesmo "à minha maneira"!
Não faltou a "preferida" da mãe e aos primeiros acordes, o puto reconheceu e desatou aos berros. Esteve às minhas costas a música toda e no fim, gritou-me ao ouvido um: "- Gostaste, mãe?!" Se ele pudesse ver o meu sorriso idiota e as lágrimas a bailarem nos olhos, percebia que eu tinha adorado!!!

(Só tenho pena do último encore que, mesmo muitos anos depois, ainda me consegue deixar com um "nó na garganta"...)

sábado, 16 de julho de 2011

À minha maneira...



 (...) ---------------------------
--------------------------------

E as forças que me empurram
E os murros que me esmurram
Só me farão lutar
À minha maneira (à minha maneira)
À minha maneira (...)

quinta-feira, 14 de julho de 2011

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Nota de pesar

Ao contrário do que é normal, hoje "meto" o mundo lá de fora no blog.

O falecimento da Mª José Nogueira Pinto chocou-me. Não só pela idade, mas também por ser uma perda para o panorama político.Venceu num  "mundo" onde governam os homens, conquistou o seu "lugar ao sol" sem quotas, foi firme nas suas convicções até ao final. Não comungo das suas opiniões, das suas convicções politicas, mas tinha o meu total respeito quando a ouvia. E eu gostava de a ouvir, mesmo não concordando com ela...
Foi uma MULHER que soube marcar a diferença, no meio de tantos homens.

sábado, 2 de julho de 2011

Mandem calar a "morena"!

Já sei, já sei... pareço um gramofone... e riscado, ainda por cima! Não sei fazer resumos, é certo. Embalo por aí fora e não me "calo"... Também já não há nada a fazer quanto a isso! Ou melhor, alguém me diria, se eu estivesse sentada à mesa: - Cala-te e come!

Pronto(s), calei-me!

sexta-feira, 1 de julho de 2011

...III

Uma Amizade Terapêutica?! Uma Relação Epistolar Virtual?! Não, não fiquei doida de vez...

Simplesmente não encontrei denominações já existentes que encaixassem... e como me deu para pensar (já sei, é perigoso!), arranjei as minhas próprias denominações. Certo, apropriei-me de parte de uma, mas já a transformei. Assim como estes posts são completamente unilaterais: não existe aqui a perspectiva do outro lado. É apenas a minha perspectiva. Quem de direito terá, com certeza, outra opinião e, atrevo-me a dizer que será muito diferente da minha. Mas este é o meu blog!

Então como é que passei de uma Relação Epistolar Virtual para uma Amizade Terapêutica?! Não passei, são complementares...não, não é bem complementares... é mais assim: do meu lado existe uma Relação Epistolar Virtual e do outro uma Amizade Terapêutica!

Vamos lá ver se consigo explicar isto... não é lá muito fácil...
A Relação Epistolar existe porque sou eu que a fomento. Não tenho qualquer dúvida disso. E volta a existir, passando a Virtual, porque sou eu que a trago de volta. Percebe-se porquê, sem eu ter que dizer muito mais. Epistolar, virtual, mas é algo, é uma simulação de algo. Dá pouco, muito pouco, quase nada, mas... eu preciso dela! Estranho, não é?! Digo que não a quero, mas que preciso dela... isto devem ser as tais zonas cinzentas da vida... Nem me vou dar ao trabalho de explicar porquê! Já terei feito várias epistolas sobre isso, algumas aqui no blog, outras a quem de direito.

Adiante... Amizade Terapêutica. A minha modesta perspectiva do outro lado.
Não preciso de explicar o conceito de amizade, pois não? É essa a base, assim como é essa a base da minha Relação Epistolar Virtual. Chamo-lhe terapêutica porque parece sempre assentar no "tratamento" de determinados assuntos. São assuntos recorrentes, frequentes e as conversas sobre os temas, tendem a ser benéficas. Descomprimem, acalmam a tensão existente e sossegam quanto a alguns potenciais danos. É, portanto uma conversa terapêutica ou melhor, uma espécie de terapia complementar ou alternativa. Provavelmente muito mais confortável que uma conversa terapêutica feita por um psicólogo. Fica-se pela rama do assunto, não se mexe com os sentimentos interiores, não leva a qualquer mudança interior, não se "escarafuncha" o que lá vai dentro.Não é feita para explorar sentimentos, são desabafos seguidos de algumas doses do meu bom senso. Claro que dentro do meu bom senso vão muitas das minhas noções pessoais, das minhas ideias, do que eu sou ou penso. Não sou psi nem terapeuta, posso usar à vontade as minhas ideias, as minhas noções, sem achar que estou a contaminar o que quer que seja.
Sei que existe um efeito perverso nestas conversas, para o meu lado: alimentam a minha Relação Epistolar Virtual! No entanto, continuo a gostar delas...

Seja como for, é isto que eu tenho e que não quero. Não quero porque não chega, porque é pouco, porque preciso de mais. Por muito bom que seja eu achar que tenho alguém do outro lado (é bom e tem sido muito importante nesta fase da minha vida, que não haja dúvidas disso), ainda que completamente virtual, faltam-me os abraços, os mimos, os carinhos... não, não estou a ser lamechas... nenhuma relação sobrevive sem o contacto físico, nenhum ser humano vive bem sem ele. E eu não tenho vergonha de dizer que é importante para mim, que preciso e que gosto. Não escondo isso.

Não sei muito bem que tipo de relação quero, muito menos sei que tipo de relação consigo construir com alguém, mas sei que isto eu não quero. Porque não me dá o que preciso, porque já lá estive e nada tive. O meu meio neurónio anda arrepiado e a minha parte morena muito faladora e pensadora...

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Ai, que quando eu penso...II

Mas afinal, que raio é que eu não quero?!

O meu melhor (e maior) amigo chamou-lhe, em tempos, Relação Epistolar! Também a poderia ter chamado de Relação Virtual, mas não seria a mesma coisa... O Epistolar caracterizava muito melhor esse tipo de relação. Veja-se a definição de Epístola da Wikipédia:  
"Epístola (do grego antigo ἐπιστολή, “ordem, mensagem”, pelo Latim epistòla,ae “carta, mensagem escrita e assinada”) é um texto escrito em forma de carta, para ser correspondido a uma ou várias pessoas, mas se distinguindo desta por expressar opiniões, manifestos, e discussões para além de questões ou interesses meramente pessoais ou utilitários, sem porém deixar o estilo coloquial, que combina paixões subjetivas e apelos intersubjetivos com o debate de temas abrangentes e abstratos."

Mas, atrevo-me agora a acrescentar o Virtual a esta caracterização - Relação Epistolar Virtual!

Eu explico: dos vários significados de Virtual, destaco dois, que assentam como uma luva na descrição da dita Relação Epistolar, ajudando mesmo a que a sua caracterização seja ainda mais completa. O primeiro aponta-nos para algo que não é físico, apenas conceitual, levando-nos à noção, por arrastamento, de que virtual não é algo concreto mas sim tudo o que não é palpável, podendo ser uma abstracção de algo real. O segundo remete-nos para virtual ser a simulação de algo.

Se, à altura desta caracterização pelo meu melhor amigo, o termo Epistolar chegava e sobrava, no momento presente, parece-me muito apropriado que eu acrescente o Virtual, pelas razões já expostas no parágrafo anterior.
Resumindo: uma relação entre duas pessoas, baseada em epístolas (mas sempre com o recurso às novas tecnologias, não existindo provas físicas), onde se exprimem sentimentos, opiniões, considerações (ou como eu digo muitas vezes: sobre tudo e mais um par de botas!), não existindo nenhuma relação física, nenhuma relação concreta e onde se simula uma relação afectiva e efectiva entre duas pessoas. Bom, mas sendo completamente honesta, nesta fase virtual da relação epistolar, serei só eu a expressar sentimentos... e aqui começa o "que raio é que eu não quero"...

Eu não quero uma Relação Epistolar. Já lá estive. E quis mais. E não tive. Eu não quero uma Relação Epistolar Virtual. Muito menos uma Amizade Terapêutica. Será, com certeza, confortável para quem dela necessita, mas não é esse o papel que eu quero. Para isso existem os psis a sério, com licença e sabedoria para tal tarefa.
Já nem se põe o facto de querer mais, mas sim de merecer mais. E eu nem quero assim tanto: sou comedida, realista e com os dois pés bem assentes na terra, no que respeita a relações a dois. Sei bem que a esta altura da vida, todos trazemos bagagem, todos temos esqueletos nos armários, fantasmas que nos assombram, trabalhos, frustrações, fracassos, uma infinidade de tralha com a qual temos que lidar. Não adianta achar que podemos fazer de conta que tudo isto não existe. Mais vale encarar as coisas e encontrar soluções. Se calhar por pensar e sentir isto é que acho que mereço mais, muito mais do que uma Relação Epistolar Virtual... ou uma Amizade Terapêutica!
Mas isso é outro post...

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Ai, que quando eu penso...I

Há dias em que nos pomos a pensar... Sim, eu sei, costuma ser perigoso... em especial para pessoas como eu, meio loiras e apenas com meio neurónio! Não sou conhecida pela lucidez no que respeita aos meus próprios assuntos: baralho sinais com facilidade, interpreto as cenas à minha maneira, interligo assuntos que, aparentemente nada tem a ver... enfim, um cérebro típico de "gaja" que se põe a analisar os seus próprios problemas: cruza todos os dados, até os mais contraditórios, arranja um emaranhado tão grande de variáveis que ninguém entende, nem mesmo (ou sobretudo) ela própria! Mas adiante, que a análise do cérebro feminino daria "pano para mangas" e não é essa a razão do post!

Ora dei comigo, nos últimos dias a fazer análises "quase" racionais de algumas situações...'tá bem, de uma em especifico... Os últimos acontecimentos da minha vida, trouxeram-me alguma lucidez e de novo a estranha sensação do que eu não quero. Sim, eu sempre disse que não sei muito bem o que quero, porque estamos sempre a mudar, mas que prefiro saber bem o que não quero. Tenho uma noção do que quero, mas sem rigidez, sem ideias pré-feitas ou pré concebidas. Estranho?! Não, até faz muito sentido se se pensar que a nossa vida é um conjunto de interacções com o mundo e com os outros, onde as nossas reacções são, muitas vezes, um produto reactivo a comportamentos de terceiros. O que queremos pode mudar depois de uma discussão, depois de um fracasso, depois de uma qualquer reacção alheia nos ter feito reagir de determinada forma. Já o que não queremos...
Pois é, por norma não mudamos as ideias do que não queremos. As marcas ficaram lá, por vezes ainda doem, por muito que as tenhamos "mastigado" e "digerido" e, quando confrontados com situações similares, na nossa cabeça surge: -  É pá, outra vez não! 'Pera lá, que por aí não quero ir! Uiii, já lá estive e não gostei! Nã... isto não!
Até concedo ir até meio do caminho outra vez, mas a dado ponto, o meu meio neurónio arrepia-se e a minha parte morena adormecida acorda!!! E a sensação do que não quero torna-se impossível de controlar!

Vai daí... Os últimos dias foram passados a analisar o meu retorno até meio do caminho. Atenção, até meio do caminho... para lá de determinado ponto, não avanço. Exactamente porque não quero o mesmo que da outra vez. É a cena do "eu sei o que não quero". Não quero sentir o que já senti, ponto!
Após um duro esforço para manter alguma racionalidade (já que voltar até meio do caminho foi completamente irracional e emocional... sorry, I'm humam, I do own a ♥!) e sentir os arrepios do meu meio neurónio, a ideia do que não quero é a que sobressai do emaranhado de variáveis e do cruzamento de dados contraditórios.

E eu não quero isto outra vez! Same subject, same speech, same feeling in the end... sorry, but no! É mesmo algo que não quero para mim e para a minha vida. Porque já lá estive e não gostei.
Porque, do pouco que sei que quero, sei que isto não é isso! Tenho uma interpretação bastante extensiva e lata do que quero, sem grandes noções pré-concebidas ou sonhos cor-de -rosa, sei bem que o que queremos pode ter que ser ajustável, tenho maleabilidade suficiente para encaixar o pouco que quero dentro da realidade mas... isto não se enquadra e, acima de tudo, não é minimamente próximo das noções do que quero. É mesmo algo que está na categoria rígida e inflexível do que eu sei que não quero!

segunda-feira, 27 de junho de 2011

sexta-feira, 24 de junho de 2011